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Qual a diferença entre prosa e poesia? [Literatura no Enem]

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Qual a diferença entre prosa e poesia? [Literatura no Enem]

Mariana Bortoletti
Por Mariana Bortoletti em Aug 11, 2022 12:15:00 AM | 21 min de leitura

Você sabe dizer a diferença entre prosa e poesia? Se a resposta for negativa, então corra para ler este artigo e tirar suas dúvidas antes de fazer o Enem! 

Poesia e prosa são assuntos que caem na prova de Linguagens, Códigos e suas Tecnologias. 

Este é o caderno que compila questões de língua portuguesa e estrangeira, literatura, artes, educação física e tecnologias da comunicação. 

E para conseguir responder algumas das questões, é necessário entender qual é a diferença entre prosa e poesia, e qual é o contexto destes dois formatos nos estudos literários. 

Por isso, neste artigo, nós vamos conversar sobre o que é prosa, o que é poesia, o que esses dois conceitos têm a ver com os gêneros literários e qual é a diferença entre eles.

Você vai conferir:

Os gêneros narrativos
Qual é a diferença entre prosa e poesia?
O que é prosa?
O que é poesia?
Questões para treinar

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Os gêneros literários

Antes de começarmos a falar sobre a diferença entre prosa e poesia, precisamos voltar um pouco nos estudos e conversar sobre o livro “Poética” de Aristóteles. 

Na publicação, o filósofo fala principalmente sobre expressão literária, sua função social e os gêneros nos quais a literatura pode se desdobrar. 

E para Aristóteles, existiam três classificações: 

  • Gênero Lírico: textos que exploram a musicalidade da palavra e os sentimentos. 
  • Gênero Narrativo-Épico: textos que narram histórias ficcionais ou verdadeiras. 
  • Gênero Dramático: textos escritos para serem performados teatralmente. 

Dentro de cada um desses gêneros, ainda existiam formas específicas nas quais eles poderiam se apresentar. Por exemplo, a prosa e poesia. 

Ou seja, ambos são formas nas quais um texto pode ser estruturado. 

Qual é a diferença entre prosa e poesia? 

Nós vamos explorar cada uma destas estruturas mais a frente neste artigo, mas para trazer um resumo para você, podemos dizer que: 

A principal diferença entre prosa e a poesia é que a prosa é um texto escrito de forma corrida, enquanto uma poesia é um texto estruturado em versos. 

Ou seja, a prosa narra os acontecimentos dividindo suas frases em parágrafos, enquanto a poesia utiliza a estrutura de versos. 

O que é prosa? 

A prosa, como visto acima, é uma estrutura básica utilizada principalmente dentro do gênero narrativo-épico para contar histórias. 

Ou seja, ela é uma forma escolhida pelo escritor para escrever uma narrativa. A principal característica de uma história em prosa é que ela tem parágrafos. 

Esses parágrafos são conjuntos de frases em que o autor apresenta uma ideia ou narra um fato. 

Para os textos escritos em prosa, a clareza de ideias é muito mais importante do que a subjetividade. 

Ou seja, é mais importante que o leitor entenda o que está acontecendo do que perceba musicalidade, ritmo ou rima. 

Confira no exemplo abaixo uma narrativa em prosa: 

Tinha-me lembrado a definição que José Dias dera deles, "olhos de cigana oblíqua e dissimulada." Eu não sabia o que era obliqua, mas dissimulada sabia, e queria ver se podiam chamar assim. Capitu deixou-se fitar e examinar. Só me perguntava o que era, se nunca os vira, eu nada achei extraordinário; a cor e a doçura eram minhas conhecidas. A demora da contemplação creio que lhe deu outra ideia do meu intento; imaginou que era um pretexto para mirá-los mais de perto, com os meus olhos longos, constantes, enfiados neles, e a isto atribuo que entrassem a ficar crescidos, crescidos e sombrios, com tal expressão que... 

Retórica dos namorados, dá-me uma comparação exata e poética para dizer o que foram aqueles olhos de Capitu. Não me acode imagem capaz de dizer, sem quebra da dignidade do estilo, o que eles foram e me fizeram. Olhos de ressaca? Vá, de ressaca. É o que me dá ideia daquela feição nova. Traziam não sei que fluido misterioso e enérgico, uma força que arrastava para dentro, como a vaga que se retira da praia, nos dias de ressaca. Para não ser arrastado, agarrei-me às outras partes vizinhas, às orelhas, aos braços, aos cabelos espalhados pelos ombros, mas tão depressa buscava as pupilas, a onda que saía delas vinha crescendo, cava e escura, ameaçando envolver-me, puxar-me e tragar-me. 

No exemplo, tirado do livro “Dom Casmurro”, de Machado de Assis, temos um bom exemplo do uso da prosa. A narrativa é fluída, possui clareza e está disposta em parágrafos. 

Tipos de prosa 

Podemos, ainda, dividir a prosa em dois tipos: a prosa narrativa e a prosa demonstrativa. Veja a diferença entre elas: 

  • Prosa narrativa: são textos que relatam acontecimentos históricos ou ficcionais. Têm personagens, enredo e ambientação. 
  • Prosa demonstrativa: são textos que pretendem passar um conhecimento adiante, textos de cunho didático, que ensinam algo. 

O que é poesia? 

Por sua vez, a poesia enquanto estrutura básica de narrativa se dá pelo texto em versos. 

Ou seja, para contar uma história ou explanar sobre algum assunto específico, o autor do poema se expressa através de rimas, ritmo e musicalidade. 

Enquanto a prosa prefere a clareza de ideias, a poesia busca a subjetividade.

Ela traz o eu lírico (o narrador da poesia) e tem uma abordagem muito mais pessoal e sentimental. 

Confira no exemplo abaixo como se estrutura uma poesia: 

Todos esses que aí estão 
Atravancando meu caminho 
Eles passarão... 
Eu passarinho! 

O poema do exemplo foi escrito por Mário Quintana e se chama “Poeminha do Contra”. 

Tipos de poesia

Assim como a prosa se divide em alguns tipos, a poesia também. Porém, nesse caso a divisão se dá pelo gênero no qual ela está focando. 

  • Poesia lírica: é utilizada para expressar sentimentos, marcada pela subjetividade. 
  • Poesia Épica: busca a objetividade ao narrar acontecimentos históricos ou não. 
  • Poesia Dramática: mistura a objetividade, a subjetividade e a opinião do poeta. 

Questões do Enem com prosa e poesia para praticar 

E agora que a diferença entre prosa e poesia ficou claro, vamos entender como esse conteúdo aparece nas questões da prova de Linguagem, Códigos e suas Tecnologias.  

Abaixo, você encontra algumas das questões que já caíram no Enem sobre poema e poesia. O gabarito estará ainda nesta seção, logo após a última questão. 

Questão 1 – Enem 2010 

Reclame 

Se o mundo não vai bem 
a seus olhos, use lentes 
... ou transforme o mundo 

ótica olho vivo 
agradece a preferência 

CHACAL et al. Poesia marginal. São Paulo: Ática, 2006. 

Chacal é um dos representantes da geração poética de 1970. A produção literária dessa geração, considerada marginal e engajada, de que é representativo o poema apresentado, valoriza 

A) o experimentalismo em versos curtos e tom jocoso.
B) a sociedade de consumo, com o uso da linguagem publicitária.
C) a construção do poema, em detrimento do conteúdo.
D) a experimentação formal dos neossimbolistas.
E) o uso de versos curtos e uniformes quanto à métrica.

Questão 2 – Enem 2022 

O Bom-Crioulo 

Com efeito, Bom-Crioulo não era somente um homem robusto, uma dessas organizações privilegiadas que trazem no corpo a sobranceira resistência do bronze e que esmagam com o peso dos músculos. […] A chibata não lhe fazia mossa; tinha costas de ferro para resistir como um Hércules ao pulso do guardião Agostinho. Já nem se lembrava do número das vezes que apanhara de chibata… 

[…] 

Entretanto, já iam cinquenta chibatadas! Ninguém lhe ouvira um gemido, nem percebera uma contorção, um gesto qualquer de dor. Viam-se unicamente naquele costão negro as marcas do junco, umas sobre as outras, entrecruzando-se como uma grande teia de aranha, roxas e latejantes, cortando a pele em todos os sentidos. 

[…] 

Marinheiros e oficiais, num silêncio concentrado, alongavam o olhar, cheios de interesse, a cada golpe. 

— Cento e cinquenta! 

Só então houve quem visse um ponto vermelho, uma gota rubra deslizar no espinhaço negro do marinheiro e logo este ponto vermelho se transformar numa fita de sangue. 

CAMINHA, A. O Bom-Crioulo. São Paulo: Martin Claret, 2006. 

A prosa naturalista incorpora concepções geradas pelo cientificismo e pelo determinismo. No fragmento, a cena de tortura a Bom-Crioulo reproduz essas concepções, expressas pela

A) exaltação da resistência inata para legitimar a exploração de uma etnia.
B) defesa do estoicismo individual como forma de superação das adversidades.
C) concepção do ser humano como uma espécie predadora e afeita à morbidez.
D) observação detalhada do corpo para a identificação de características de raça.
E) apologia à superioridade dos organismos saudáveis para a sobrevivência da espécie.

Questão 3 – Enem 2017 

Sou um homem comum 
brasileiro, maior, casado, reservista, 
e não vejo na vida, amigo 
nenhum sentido, senão 
lutarmos juntos por um mundo melhor. 
Poeta fui de rápido destino 
Mas a poesia é rara e não comove 
nem move o pau de arara. 
Quero, por isso, falar com você 
de homem para homem, 
apoiar-me em você 
oferecer-lhe meu braço 
que o tempo é pouco 
e o latifúndio está aí matando 

[...] 

Homem comum, igual 
a você, 

[...] 

Mas somos muitos milhões de homens 
comuns 
e podemos formar uma muralha 
com nossos corpos de sonhos e margaridas. 

FERREIRA GULLAR. Dentro da noite veloz. Rio de Janeiro: José Olympio, 2013 (fragmento). 

No poema, ocorre uma aproximação entre a realidade social e o fazer poético, frequente no Modernismo. Nessa aproximação, o eu lírico atribui à poesia um caráter de 

A) agregação construtiva e poder de intervenção na ordem instituída.
B) força emotiva e capacidade de preservação da memória social.
C) denúncia retórica e habilidade para sedimentar sonhos e utopias.
D) ampliação do universo cultural e intervenção nos valores humanos.
E) identificação com o discurso masculino e questionamento dos temas líricos.

Questão 4 – Enem 2021 

Seixas era homem honesto; mas ao atrito da secretaria e ao calor das salas, sua honestidade havia tomado essa têmpera flexível da cera que se molda às fantasias da vaidade e aos reclamos da ambição. 

Era incapaz de apropriar-se do alheio, ou de praticar um abuso de confiança; mas professava a moral fácil e cômoda, tão cultivada atualmente em nossa sociedade. 

Segundo essa doutrina, tudo é permitido em matéria de amor; e o interesse próprio tem plena liberdade, desde que se transija com a lei e evite o escândalo. 

ALENCAR, J. Senhora. Disponível em: www.dominiopublico.gov.br. Acesso em: 7 out. 2015. 

A literatura romântica reproduziu valores sociais em sintonia com seu contexto de mudanças. No fragmento de Senhora, as concepções românticas do narrador repercutem a 

A) resistência à relativização dos parâmetros éticos.
B) idealização de personagens pela nobreza de atitudes.
C) crítica aos modelos de austeridade dos espaços coletivos.
D) defesa da importância da família na formação moral do indivíduo.
E) representação do amor como fator de aperfeiçoamento do espírito.

Questão 5 – Enem 2014 

Psicologia de um vencido 

Eu, filho do carbono e do amoníaco, 
Monstro de escuridão e rutilância, 
Sofro, desde a epigênesis da infância, 
A influência má dos signos do zodíaco. 

Profundíssimamente hipocondríaco, 
Este ambiente me causa repugnância... 
Sobe-me à boca uma ânsia análoga à ânsia 
Que se escapa da boca de um cardíaco. 

Já o verme — este operário das ruínas — 
Que o sangue podre das carnificinas 
Come, e à vida em geral declara guerra, 

Anda a espreitar meus olhos para roê-los, 
E há de deixar-me apenas os cabelos, 
Na frialdade inorgânica da terra! 

ANJOS, A. Obra completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1994. 

A poesia de Augusto dos Anjos revela aspectos de uma literatura de transição designada como pré-modernista. Com relação à poética e à abordagem temática presentes no soneto, identificam-se marcas dessa literatura de transição, como 

A) a forma do soneto, os versos metrificados, a presença de rimas e o vocabulário requintado, além do ceticismo, que antecipam conceitos estéticos vigentes no Modernismo.
B) o empenho do eu lírico pelo resgate da poesia simbolista, manifesta em metáforas como “Monstro de escuridão e rutilância” e “influência má dos signos do zodíaco”.
C) a seleção lexical emprestada ao cientificismo, como se lê em “carbono e amoníaco”, “epigênesis da infância” e “frialdade inorgânica”, que restitui a visão naturalista do homem.
D) a manutenção de elementos formais vinculados à estética do Parnasianismo e do Simbolismo, dimensionada pela inovação na expressividade poética, e o desconcerto existencial.
E) a ênfase no processo de construção de uma poesia descritiva e ao mesmo tempo filosófica, que incorpora valores morais e científicos mais tarde renovados pelos modernistas.

Gabarito:

Agora, confira as respostas para as questões: 

  • Questão 1 – Alternativa A 
  • Questão 2 – Alternativa A 
  • Questão 3 – Alternativa A 
  • Questão 4 – Alternativa A 
  • Questão 5 – Alternativa D 

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